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UM PROBLEMA PARA O QUAL ISRAEL NÃO SE PREPAROU

Refugiados em Israel umnovo problemaUma guerra interna está em ritmo cada vez mais acelerado, em Israel. Eladizrespeitoaocrescente número de refugiados africanos que têm cruzado as fronteirascom o Estado Judeu para fugir de conflitosemseus países, da fome e do atraso. São milhares e milhares de homens, mulheres e crianças de países como Sudão e Eritréia, que, sempermissão para trabalhar no país, acabam vagando pelas ruas. Certos lugares jáviraram centros de refugiados legaisouilegais, como o Sul de Tel Aviv, principalmente a área da antigarodoviária, Eilat e Arad.

Diantedessefenômeno, os israelenses se dividem entre os que apóiam a entrada de refugiados emperigo de vida e apelam para que o governolhes conceda asilo político ouhumanitário; e os que são contra a infiltração de milhares de imigrantesilegais e exigem que o governo os deporte para seus países de origem e evite que mais e mais deles cruzem a fronteira. Os dois lados têmseus motivos e explicações.

Para os que são anti-refugiados, Israel precisa se recordar do objetivo para o qual o país foi criado – para ser a pátria de judeus perseguidos – e evitar que centenas de milhares de pessoas que não se encaixamnessadefiniçãoentrem no país, ocupem vagas de emprego de israelenses e aumentem a violência interna. Para os pró-refugiados, Israel precisa se lembrar justamente das agruras vividas por judeus perseguidos de diversas partes do mundo durante toda a História – expulsões, ameaças, racismo, xenofobia, genocídio – e ajudar os que, hoje, sofremdessasmesmas agruras.

São dois pontos de vista que nãoconseguem se conciliar e que começam a causar tensão interna. Principalmente depois que diversos crimescomeçam a ser cometidos pelos refugiados africanos, sememprego e seminclusão social. Háduas semanas, por exemplo, foram presos doiscidadãos da Eritréiaem Tel Aviv, acusados de violar uma menina de 15 anos no Dia da Independência. Outro refugiado é suspeito de ter segurado o namorado da garotaenquantoela era violada, além de ter roubadodinheiro e jóias do casal. Na semana passada, outrosquatro africanos foramdetidos por suspeita de terem atacado sexualmente umajovem de 19 anos.

O clima ficouaindamais pesado depois que morador do sul de Tel Aviv jogouuma bomba caseira contra uma casa ondemoram africanos em busca de asilo político. No Facebook, dezenas de páginas foramabertascom títulos como "Nãohávergonhaemdizer: não queremos refugiados por aqui", "Eilatsem refugiados", "2400 imigrantesilegais por mês, precisamos parar comissoagora", "Fora, refugiados", "Imigrante? Não no meu lar", "Cidadãos contra infiltradores" e etc. Umabaixoassinado contra a infiltração de africanos, que chama de "bomba-relógio", foiabertana internet em 22 de abril e jácontacomquase mil assinaturas.

Diantedessareação de israelenses que se sentemameaçados, o ONG Centro de Ajuda para TrabalhadoresEstrangeiros (http://www.hotline.org.il/hebrew/index.htm) criouum vídeo no qualtentapassarumamensagem de conciliação e de aceitação das diferenças. Empoucomais de dois minutos, o famoso ator Eli Finishdiz, em hebraico:

"Sob os nossosnarizes acontece algo que não podemos ignorar. Pedintes de asilo chegam do deserto fugindo de guerras e do perigo de vida. Eles fogem para proteger suas vidas e passam por jornadas terríveiscomhistórias de quebrar o coração. Mas, a partir de agora, quandochegarem a Israel, umasurpresa os esperará. Neste momento, o governo consolida a Lei de Inibição de Infiltração, segundo a qual todos que entrarem no país sempermissão, serão enviados para a prisão por pelo menos 3 anos. E quemvier de um lugar considerado inimigo, como Darfur, será preso por um período ilimitado que pode durar toda a vida. Imagino que o governoqueira prevenir que eles cheguem, mas acho que umapessoa que está emperigo de vida vaifugir e chegarmesmo que saiba que pode ir para a prisão. Essa é a solução? Prisõescheias de milhares de coitados?"

Nãoseiqual é a solução. Se eusoubesse, correria para sugerir a alguém. Mas com certeza esse é um problema moderno que Israel nãopensou que umdia se depararia. Quemimaginava, há 40, 50 anos, que o Estado Judeu se consolidaria como o mais "seguro" do Oriente Médio, o lugar para o qualmilhares de africanos, mesmo os muçulmanos, sonhamemchegar para fugir de genocídios e da fome? A situação merece consideração profunda diante dos prós e dos contras. Mas, principalmente, diante de cada um dos refugiados e da consciênciacoletiva de todo um país.


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