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No mês passado participeina Casa Branca de um encontro entre rabinos e imãscomo objetivo de aproximar as comunidades judaicas e islâmicas. O encontrovisava a estender a América Latina e Caribe umaexperiência importante nos Estados Unidos. Com a intenção de corrigir a percepção equivocada de que as comunidades sãoessencialmenteantagônicas e hostis, foi criado um relevante projeto de intercâmbio. Entre as iniciativas, mais de uma centena de rabinos visitou e predicouemmesquitas, e um número igual de imãs o fezem sinagogas para minorar o estranhamento e a desconfiança.
No entanto, umaaçãoem particular gerouemmimumsentimento de esperança. Para além das intençõesnobres, as liderançasencontraramumpromissorterritório de cooperação e de identificação - o de se solidarizar com as aflições do outro.
Num conto judaico um amigo pergunta para o outro: "Você é meu amigo?" O outro responde: "Claro!" O primeiroprossegue: "E acaso você sabe o que me aflige neste instante?" "E como vou saber o que te aflige neste momento?", reagiu o amigo. O primeiroconcluiu: "Mas, se não sabe o que me aflige agora, como pode ser meu amigo?"
Foinesseespírito que rabinos nos Estados Unidos se fizeram entre os primeiros a denunciar situações de islamofobia e líderes muçulmanos a se pronunciar contra a negação do holocausto. Jáhavianaexperiência judaica a memória da aproximaçãogerada entre as comunidades judaicas e negras nos Estados Unidos, quandojudeus e rabinos cerraramfileirascom Martin Luther King naafirmação de que a causa de umaminoria é a causa de todas as minorias. Ambas as questões, islamofobia e antissemitismo, representam o sofrimento do outro. E para sermos amigos temos que estar sensíveis à angústia do outro.
Levar a mensagem para dentro da comunidade judaica e endossarpublicamente que a comunidadeislâmica é constituída de pessoas de bem e que, como qualqueroutra, busca dignamente o trabalho, a constituição de famílias e zela por princípios de paz e respeito, é fundamental quandoepisódios e grupos isoladostentamrepresentá-la como radical e violenta gerandodiscriminação e constrangimento.
É significativo que escolasislâmicas nos Estados Unidos estejam levando crianças para visitar o Museu do Holocausto e que líderes muçulmanosestejam visitando Campos de Concentração para combater a negação do Holocausto e do antissemitismoenquanto rabinos denunciam formas de islamofobia. É que o mensageiro modifica por completo a percepção da mensagem exponencialmente ampliando suacredibilidade. Não se trata de um truque de defender causa própria pela do outro, mas da aproximação por reconhecer que o sofrimentodói igual e que não podemos fazeraooutro o que não queremos que façamconosco.
Estender este processoaonosso Brasil é umdesafio. Ainda estamos por criar esta consciência entre as lideranças e aproximá-las. Aomesmo tempo, temosumaexperiênciaímpar de convívio entre as comunidades.
Quandoumdefende o outro pode inicialmente parecer estranha a identidade do mensageiro. Mas libera a mensagemem si de qualquerestranhamento. Assim, advogando pelo outro, exortamosnão a nossa causa particular, mas a de todos.
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