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Mesmo após novo governo, protestos se intensificam na Síria

Imagens obtidas de um canal de TV da oposição da Síria mostram manifestantes sendo agredidos pela políciaOs protestos contra o ditador da Síria, Bashar al Assad, chegaram à capital, Damasco, pela primeira vez nesta sexta-feira desde o início da onda de revoltas pró-democracia que coloca o atual regime, há 11 anos no poder, cada vez mais sob pressão.

Gritando "Deus, Síria, Liberdade", os manifestantes repetiram a mesma demanda por reformas democratizantes e liberdade em várias cidades.

Os protestos não se acalmaram com o anúncio de um novo governo na quinta (14).

De acordo com a Anistia Internacional, ao menos 200 pessoas morreram no país vítimas de confrontos e da violenta repressão do governo aos protestos.

Em Damasco, as forças de segurança usaram cassetetes e gás lacrimogêneo para evitar que os milhares de manifestantes marchando a partir de diversos subúrbios chegassem à praça Abbasside.

"Eu contei 15 ônibus da mukhabarat (polícia secreta)", disse uma testemunha. "Eles iam pelas alamedas ao norte da praça em busca de manifestantes e gritando 'Cafetões, infiltradores, vocês querem liberdade? Vamos dá-la a vocês'".

Outra testemunha que acompanhou os manifestantes desde o subúrbio de Harasta disse que milhares de pessoas cantavam "o povo quer a derrubada do regime" e derrubavam cartazes de Assad pelo caminho.

REVOLTA GANHA FORÇA

O uso da força, as prisões em massa e as acusações de Assad de que grupos armados instigaram o levante -- além de promessas por reformas e concessões aos grupos minoritários e aos muçulmanos conservadores -- não aplacaram os manifestantes que se inspiram nas insurreições populares que derrubaram os líderes da Tunísia e do Egito.

Na quinta-feira (14), o presidente anunciou um novo governo, que tem pouco poder no país unipartidário, e determinou a libertação de alguns presos -- medida que um advogado dos direitos humanos classificou de uma 'gota em um oceano', diante dos milhares de prisioneiros políticos ainda detidos.

Muzaffar Salman/Associated Press

Em meio às grandes manifestações antigoverno, defensor do ditador Bashar al Assad grita na capital Damasco

Entretanto, os manifestantes se reuniram em números maiores no dia das orações dos muçulmanos.

Em Deraa, milhares de pessoas foram às ruas depois das orações de sexta-feira gritando "liberdade", segundo um ativista no epicentro da onda de protestos contra o governo autoritário do partido Baath.

Manifestações começaram em todas as mesquitas da cidade, incluindo a mesquita Omari... O número de pessoas supera 10 mil manifestantes até o momento", disse o ativista por telefone, de Deraa.

DITADURA

Protestos populares contra o governo de 11 anos do presidente Assad, cujo partido Baath governa a Síria com mão de ferro há mais de 50 anos, irromperam em Deraa no mês passado e se espalharam para o restante do país.

Segundo o ativista, não havia presença do Exército em Deraa desde a noite de quinta-feira, após uma reunião entre o ditador Bashar al Assad e líderes locais.

"O Exército não está dentro da cidade, há muitos oficiais de segurança aqui, mas não estão presentes nas ruas". afirmou. "Houve melhora desde a noite passada, mas as pessoas ainda não estão satisfeitas."

Ele disse que as pessoas estavam gritando: "Liberdade, liberdade, pacífica, pacífica".


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